Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

Instantâneos (15)



Escondidos em entradas de prédios, "tesouros" deste quilate passam despercebidos a quem não espreite portas semi-abertas. Mas, de quando em vez, são descobertos pela curiosidade e interesse de quem os procura.

Comércio que persiste em resistir à voragem do tempo, com dificuldades nítidas que se enfrentam com a coragem adquirida por décadas de existência, herança de avós que se respeita, restos de uma Lisboa típica e característica que alguns ainda tentam preservar.

Na Rua de S.Julião.

Domingo, 5 de Julho de 2009

Há 50 anos (2)



Quando comparo as diferenças entre estas duas fotografias, pergunto-me se não serão mais que justas as crescentes críticas que alguns, de forma pertinente, vêm fazendo ao património que é sonegado, consciente ou inconscientemente (irrelevante para o caso), ao comum dos cidadãos.
Porque se nos anos 50, o transeunte tinha oportunidade de apreciar a beleza destas arcadas do Teatro Nacional D.Maria II e do passeio público, hoje em dia esbarra com um estupidificante mono envidraçado, que a direcção daquela Casa resolveu construir, tapando definitivamente o aprazível local.

Inadmissível.
Mas verdadeiro.


(Fotografia a preto e branco do "Arquivo Fotográfico Municipal" da Câmara de Lisboa)

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

Lisboa em Prosa (3)


“Lisboa chama ao compromisso. Lisboa. Soletro-te o nome e lá estás, naquele cotovelo da rua onde a rua forma uma lomba e eu digo, não é possível! e tu abres os olhos e sorris o sorriso cândido de todas as ofertas, e dançamos nesse baile antigo, indiferentes a quem nos observa, contemplando-nos, corpo no corpo, arfantes e aflantes, e dançamos na noite de uma vida inteira, e quando te penso és uma rapariga debruada de sol numa janela de flores”.


Baptista-Bastos

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

Lisboa nas Telas (1)


Roque Gameiro.

Domingo, 21 de Junho de 2009

Lisboa e os Poetas (14)


"Primeira canção em Lisboa"

"Em Lisboa é que nascem as gaivotas.
Que pena, meu amor, o mar não ser
um copo de água pura. De água para
a sede que em Lisboa eu vi nascer.

Em Lisboa. Capital do vento sul.
Coração do meu povo. A doer tanto
que a dor se tornou cor. E é azul
como a ganga dos homens do meu canto.

Em Lisboa a gente morre sem idade.
Devagar. Como se faz uma canção.
E há um pássaro que voa. É a saudade.
E uma janela aberta. O coração."


Joaquim Pessoa

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

Há 50 anos (1)


Eu sei que passaram 50 anos…
Mas para além da natural “invasão” que os automóveis fizeram a espaços anteriormente abertos à circulação pedestre, faltam-me as palavras para classificar o que encontrei no “Chafariz da Mãe-de-Água”, passada a Praça da Alegria.
Na fotografia que tirei, tentando posicionar-me na mesma perspectiva da de 1959, mal se nota, mas o pano, a toda a largura, que lá está afixado, reza “Chafariz do Vinho”, organização comercial que, a crer no que se vê, tomou conta do local.
Inacreditável.
Vergonhoso.
Irreal.
Escabroso.

Mesmo que o milagre da transformação de água em vinho tivesse acontecido… é inadmissível que quem vela pelo nosso património nada tenha feito.
O Chafariz não pode ser propriedade privada.
E mesmo esta tem de ter decoro.
Parece que já vale tudo!


(Fotografia a preto e branco retirada do “site” do“Arquivo Fotográfico Municipal” de Lisboa)

Sábado, 13 de Junho de 2009

Instantâneos (14)


Quando vejo um destes anúncios, fico preocupado…

Pelo imóvel que deveria ser conservado e vai ser destruído.
Pelo projecto aprovado, quase sempre de uma envidraçada e incaracterística construção, igual em todo o mundo.
Pela alegre irresponsabilidade que parece ter tomado conta de quem deveria preservar o património.
Por Lisboa, que se vai transformando numa cidade atípica.


(Rua do Ouro)